TRE barra pesquisa sobre governador de SE por dúvida de financiamento

Decisão atende à ação do Republicanos que apontou inconsistências na prestação de contas do instituto responsável pelo levantamento

Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe determinou suspensão imediata da divulgação de pesquisa eleitoral registrada, de responsabilidade do instituto Edição, Comunicação & Marketing Eireli. A decisão foi proferida nesta terça-feira (4/8), um dia antes da publicação do levantamento.

A medida atende a uma representação impetrada pelo diretório estadual do Republicanos. Segundo o TRE, o instituto não comprovou de forma objetiva a origem dos recursos utilizados para custear a pesquisa e apresentou inconsistências na documentação contábil exigida pela Justiça Eleitoral.

Na decisão, o tribunal também fixou multa diária de R$ 5 mil, limitada a R$ 50 mil, em caso de descumprimento da determinação ou de divulgação dos dados por terceiros.

Divergência nas contas

No registro da pesquisa, o instituto informou que o levantamento custaria R$ 30 mil e seria financiado com recursos próprios. No entanto, segundo a decisão, a empresa deixou de apresentar o Demonstrativo do Resultado do Exercício de 2025, documento exigido pela Resolução nº 23.600/2019 do Tribunal Superior Eleitoral.

Em seu lugar, foi anexado um “Balanço de Resultado Econômico Analítico”. A análise do documento indicou receita bruta de R$ 124.872,36, despesas operacionais de R$ 119.526,50 e lucro líquido anual de R$ 5.345,86.

Para o TRE, a diferença entre o lucro registrado e o valor declarado para custear a pesquisa levantou dúvidas sobre a capacidade financeira da empresa de bancar o levantamento com recursos próprios, além de suscitar questionamentos sobre a eventual existência de financiadores não informados no registro.

Histórico

A ECM atua na realização de pesquisas de opinião e intenção de voto em Sergipe. Em levantamentos divulgados durante o processo eleitoral de 2026, o instituto apontou a liderança do atual governador do estado e candidato à reeleição, Fábio Mitidieri (PSD).

Segundo a representação, a empresa também já foi alvo de procedimentos de fiscalização do Ministério Público Eleitoral e do TRE-SE em eleições anteriores relacionados ao cumprimento de exigências formais e à transparência das informações orçamentárias apresentadas nos registros de pesquisas.

(Informações e foto são do Metrópoles)

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Katia Santana

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