O Boletim Fiscal dos Estados, divulgado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) revelou que só no ano passado, as famílias brasileiras gastaram R$ 62,5 bilhões em plataformas de apostas – as chamadas bets.
O valor é equivalente a mais de R$ 5 bilhões por mês. Os números são baseados em estatísticas de pagamentos do Banco Central.
O montante gasto com as bets corresponde ao valor líquido, ou seja, à diferença entre o dinheiro apostado e o devolvido em forma de prêmio.
As perdas equivalem a 0,68% da renda nacional bruta das famílias e consideram as transferências feitas por Pix para as casas de apostas.
No mesmo período, as bets movimentaram quase R$ 351 bilhões em transações via Pix.
Regulamentação
O estudo mostra que, desde a regulamentação das bets, em janeiro do ano passado, houve mudança no volume de transferências via Pix destinadas ao setor de artes, cultura, esporte e recreação, indicando maior comprometimento da renda das famílias com as apostas.
A lei que regulamentou as bets determina que as empresas bloqueiem o acesso de usuários identificados como compulsivos. Segundo o advogado Júlio Leone, porém, isso não tem ocorrido.
“Quando é detectado que a pessoa tem ludopatia, que é viciada, compulsiva em apostas, o algoritmo deveria travar a conta dela. Mas faz o contrário: manda mais bônus, mais vouchers, mais incentivos para que ela continue apostando. É aí que ela perde todo o capital.”
O boletim mostra ainda que, desde outubro do ano passado, quando entrou em vigor a proibição de apostas para beneficiários do Bolsa Família, houve desaceleração no ritmo das transações.
Segundo o Comsefaz, o resultado indica que a medida teve efeitos concretos sobre o volume agregado de transações, sugerindo que as famílias de menor renda tinham participação significativa no mercado de apostas.
(Com informações e fotos de Agência Brasil)








