Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avançam para o segundo turno da eleição presidencial de 2026 com projetos bastante distintos para o Brasil, mas também com algumas convergências.
De um lado, Lula propõe ampliar o papel do Estado, fortalecer as políticas sociais e expandir direitos trabalhistas. Do outro, Flávio defende uma agenda liberal na economia, a redução de impostos e o endurecimento do combate ao crime.
As diferenças constam dos programas de governo que os dois registraram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas também envolvem posições defendidas publicamente pelos candidatos e bandeiras associadas às suas trajetórias políticas.
Um ponto central de divergência trata do destino dos bolsonaristas condenados por atentar contra a democracia após a eleição de 2022.
Enquanto Flávio promete conceder anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro e a seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Lula defende manter a punição dos responsáveis.
Outra diferença diz respeito ao funcionamento do Supremo Tribunal Federal (STF). Flávio propõe a instituição de mandatos para ministros, restrições a decisões monocráticas (individuais) e novas regras para indicação de integrantes da Corte.
Também defende o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, ainda que essa seja uma prerrogativa do Senado.
Relator de vários processos que levaram à condenação de bolsonaristas nos últimos anos, Moraes foi envolvido no escândalo do Banco Master após a revelação de que o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, mantinha um contrato de R$ 131 milhões com a instituição bancária. Ele nega ilegalidades.
O tema ganhou peso adicional na disputa, porque o próximo presidente poderá indicar ao menos três ministros do STF.
Para Francisco Teixeira, professor de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), muitos eleitores de Lula e Flávio se movem menos pelos programas dos candidatos do que pela simpatia que nutrem por um ou pelo outro.
No caso de Flávio, diz que muitos o veem como “um substituto de Jair Bolsonaro” e optam por ele na expectativa de que conceda um indulto ao pai e aos demais condenados por golpe de Estado.
Quanto aos planos de governo de cada um, Teixeira diz que “a proposição de Lula é uma guerra de trincheira: ficar onde está” e impedir que o avanço conservador no Congresso mine programas sociais petistas.
Já o de Flávio, segundo o professor, tem como eixo propostas semelhantes às reformas econômicas aprovadas pelo presidente Javier Milei na Argentina, com o objetivo de diminuir os gastos do governo.
(Informações: BBC)








