Bosco Costa é condenado por corrupção passiva em esquema com emendas parlamentares

Segundo decisão, acusados participavam de esquema de cobrança de propina

Ex-deputado é acusado de desviar recursos de emendas

Em decisão unânime, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou hoje (17), o ex-deputado federal por Sergipe, Bosco Costa (PL/SE) pelo crime de corrupção passiva.

Além do parlamentar sergipano, também foram condenados os deputados Josimar Maranhãozinho (PL/MA) e Pastor Gil (PL/MA), acusados de participação em um esquema de cobrança de propina para liberação de emendas parlamentares.


Esquema envolvia liberação de recursos públicos.

De acordo com a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), os parlamentares teriam solicitado cerca de R$ 1,6 milhão em vantagens indevidas em troca da liberação de aproximadamente R$ 6,6 milhões em emendas destinadas ao município de São José de Ribamar, no Maranhão.

O relator do caso, ministro Cristiano Zanin, afirmou que há provas consistentes de que os envolvidos pediram propina a gestores municipais. O entendimento foi acompanhado pelos ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Flávio Dino, formando placar de 4 votos a 0 pela condenação.

Durante o julgamento, Moraes chegou a afirmar que os investigados tratavam as emendas parlamentares como se fossem bens privados, evidenciando o desvio de finalidade dos recursos públicos. �

Penas e desdobramentos

Bosco Costa foi condenado a cinco anos de prisão em regime semiaberto. As penas dos demais parlamentares também foram definidas: Josimar Maranhãozinho recebeu mais de seis anos de prisão, enquanto Pastor Gil foi condenado a mais de cinco anos.

Apesar da condenação, os três ainda podem recorrer da decisão, o que impede a execução imediata das penas.
Outro ponto relevante é que caberá à Câmara dos Deputados decidir sobre a eventual perda dos mandatos parlamentares, já que a condenação criminal não implica afastamento automático. �

Absolvição parcial

Por falta de provas, Josimar Maranhãozinho, Pastor Gil, Bosco Costa, João Batista Magalhães e Thalles Andrade Costa foram absolvidos da acusação de participação em organização criminosa. De acordo com o colegiado, não ficou provado que os réus pertencessem a uma organização estruturada para cometer outros crimes contra a administração pública.  Os ministros do STF mantiveram apenas a condenação por corrupção passiva.


A decisão representa mais um capítulo relevante no enfrentamento a irregularidades envolvendo o uso de emendas parlamentares, tema que tem sido alvo recorrente de investigações e debates no cenário político nacional.

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Katia Santana

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