Justiça bloqueia R$ 5 milhões de André Moura por suspeita de fraude

Medida foi deferida pela 13ª Vara da Fazenda Pública da Capital em ação de improbidade administrativa ajuizada em julho passado

Além de André, outras três pessoas também foram alvo da ação

A Justiça do Rio de Janeiro determinou o bloqueio de R$ 5 milhões em bens do ex-secretário de Representação do Governo do Estado do Rio de Janeiro em Brasília (SERGB) e candidato ao Senado, por Sergipe,André André Moura (Podemos).

Além dele, são alvos da ação o então subsecretário de Administração da SERGB, Ricardo Cardoso dos Santos; o sócio-administrador da Triunfo Consultoria Educacional Ltda., Vanderlan Ribeiro Vieira; Edmilson Suassuna da Silva; e a própria empresa.

Eles são investigados por suposta fraude na contratação de uma plataforma educacional pela pasta. Outras três pessoas e uma empresa também foram alvo do bloqueio.

Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), os acusados estão envolvidos no direcionamento da contratação de uma plataforma educacional pela Secretaria, firmada em dezembro de 2023 e prorrogada até dezembro de 2025. Quando o contrato foi celebrado, André Moura era o titular da pasta.

Adesão indevida

A medida foi deferida pela 13ª Vara da Fazenda Pública da Capital em ação de improbidade administrativa ajuizada em julho deste ano pelas 5ª e 8ª Promotorias de Justiça de Tutela Coletiva do Patrimônio Público e da Cidadania da Capital.

Segundo a ação, a contratação da Triunfo foi direcionada por meio da adesão indevida a uma ata de registro de preços do Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Rural Sustentável (Cidrus), de Minas Gerais (MG), ocasionando desvio de recursos públicos e danos ao erário.

O contrato previa mais de seis mil licenças de software educacional, ao custo unitário de R$ 399, e passou de R$ 2,5 milhões para R$ 5.001.864 após ser prorrogado pelo mesmo período e valor.

A investigação apontou que a ata mineira previa uma plataforma voltada ao reforço escolar, enquanto a contratação da SERGB tinha como finalidade capacitar gestores, técnicos e servidores públicos em temas como orçamento, finanças, gestão de convênios e prestação de contas.

Segundo o MPRJ, análise do Grupo de Apoio Técnico Especializado (Gate/MPRJ) concluiu que as diferenças de público-alvo, conteúdo e finalidade afastavam a compatibilidade necessária para a adesão à ata.

As Promotorias também identificaram vínculos funcionais anteriores entre os envolvidos.

O sócio-administrador da Triunfo, Vanderlan Ribeiro Vieira, por exemplo, havia atuado como assessor e subsecretário na Administração Estadual sob a chefia de André Moura e, posteriormente, passou a integrar o quadro societário da empresa contratada.

Já o então subsecretário de Administração da SERGB, Ricardo Cardoso dos Santos, permaneceu na estrutura da Secretaria sob a chefia de André Moura e, segundo a ação, atuou na formalização da contratação e na ordenação das despesas em favor da empresa.

A ação aponta ainda indícios de reduzida capacidade técnica, operacional e patrimonial da Triunfo, que iniciou suas atividades em 2022 e, segundo as apurações, não possuía vínculos formais de emprego registrados.

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Katia Santana

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