Senador critica contestação eleitoral e cobra medidas para recuperar a confiança na Justiça

Vieira afirmou que o Brasil continua sendo uma democracia, ainda que marcada por distorções e falhas na condução institucional

Senador alertou para possíveis consequências internacionais da contestação do resultado eleitoral

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) repudiou, nesta quarta-feira (28), a declaração de Flávio Bolsonaro de que seria o presidente eleito do Brasil. O parlamentar, tambem, defendeu que o Congresso Nacional se manifeste em defesa da democracia e do resultado das urnas. .

Em pronunciamento no plenário do Senado, Vieira afirmou que a contestação do resultado eleitoral prejudica o país e cobrou providências para enfrentar a perda de credibilidade da Justiça brasileira.

A manifestação ocorreu após Flávio Bolsonaro divulgar uma nota na qual se apresenta como presidente eleito. Para Alessandro Vieira, a iniciativa contraria o reconhecimento do resultado por partidos e demais participantes da disputa e favorece a circulação, no exterior, de discursos contrários aos interesses brasileiros.

O senador ressaltou que questionamentos sobre as circunstâncias das eleições e a atuação da Justiça são legítimos, mas não devem ser confundidos com a rejeição do resultado proclamado.

“As eleições se encerraram, o resultado foi proclamado, os presidentes dos partidos reconheceram o resultado, todos os envolvidos reconheceram o resultado, questionando, claro, e é direito, questionando circunstâncias, atuação da Justiça, abuso de poder econômico, mas reconhecendo o resultado que as urnas manifestaram por uma diferença de mais de 4 milhões de votos”, afirmou.

Vieira também cobrou uma posição institucional do Congresso diante do episódio. Segundo ele, os parlamentares têm a responsabilidade de defender a democracia e reagir a manifestações que, em sua avaliação, colocam em dúvida a legitimidade do processo eleitoral.

“Todos nós, que somos eleitos pelo voto popular, que representamos o Brasil, os brasileiros, e, mais do que isso, temos a obrigação de zelar pela democracia, precisamos fazer duas coisas urgentes. A primeira delas é a repulsa a esse tipo de manifestação”, declarou.

Manipulação nas redes e credibilidade do Judiciário

Além da contestação eleitoral, o senador apontou problemas que considera necessário enfrentar para fortalecer as instituições democráticas. Entre eles, citou abusos de poder político e econômico e a influência das plataformas digitais no debate eleitoral.

“Tivemos manipulação algorítmica, que é uma novidade, e tem que ser objeto de trabalho legislativo e de regulamentação, porque claramente as Big Techs tensionaram para um lado”, afirmou, defendendo a discussão de medidas legislativas para regulamentar a atuação das grandes empresas de tecnologia.

Vieira também atribuiu parte da crise institucional à perda de confiança no Judiciário e afirmou que a responsabilidade por esse cenário deve ser compartilhada pelas instituições e pelos representantes políticos.

“Você tem um Judiciário no Brasil, e talvez este seja o problema central, você tem uma Justiça no Brasil que não merece o respeito dos brasileiros, e essa é uma responsabilidade nossa”, disse.

Apesar das críticas, o senador afirmou que o país continua sendo uma democracia, ainda que marcada, em sua avaliação, por distorções e falhas na condução institucional.

“Convenhamos, vivemos numa democracia torta, mal conduzida, injusta, mas democracia”, declarou.

Repercussão internacional preocupa senador

Vieira também alertou para possíveis consequências internacionais da contestação do resultado eleitoral. Na avaliação do parlamentar, declarações que colocam em dúvida a legitimidade da eleição podem alimentar manifestações no exterior contrárias aos interesses brasileiros.

“Esse tipo de providência que o candidato derrotado à Presidência adota, ele coloca em risco os interesses do Brasil, dos brasileiros, porque dá vazão a discursos no exterior que são contrários ao interesse do nosso Brasil”, afirmou.

Ao cobrar uma reação do Congresso, o senador associou a defesa do resultado eleitoral à necessidade de recuperar a confiança nas instituições e enfrentar problemas que, segundo ele, fragilizam a democracia brasileira.

(Com informações e imagem: Ascom)

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