Cleitinho defende que brasileiros façam boicote à classe política

Apesar da autocrítica, ele admite que, mesmo após encerrar o mandato de senador, continuará usufruindo do direito ao plano de saúde; igual acesso é assegurado aos dependentes

O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos) pediu aos brasileiros que deixem de lado as disputas entre si e concentrem a cobrança sobre os representantes políticos e combatam os privilégios custeados com dinheiro público.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o senador – cujo mandato termina em 31 de dezembro – defendeu que o alvo dos boicotes seja a classe política, e não pessoas ou empresas por suas posições ideológicas.

“Quem tem que ser boicotado, gente, é a classe política”, afirmou.

A declaração ocorre em meio a manifestações de sabotagem a empresas e pessoas que apoiaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Embora tenha apoiado Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, Cleitinho argumenta que divergências políticas não deveriam servir de motivo para hostilizar cidadãos, enquanto benefícios e despesas dos agentes públicos permanecem fora do centro do debate.

Apartamento funcional e benefícios parlamentares

Para sustentar a crítica, o futuro governador mostrou o apartamento funcional que ocupa em Brasília e questionou a substituição de móveis e eletrodomésticos antes de deixar o imóvel. Ao apontar para uma geladeira que, segundo ele, havia sido trocada recentemente, criticou o custo dos benefícios concedidos aos parlamentares.

“Isso aqui é um privilégio que a classe política tem: um apartamento funcional. E sabe quem paga essa conta? É você”, declarou.

O senador também mencionou veículos, benefícios relacionados à segurança e à saúde e o auxílio-mudança, que, segundo ele, deverá representar cerca de R$ 40 mil ao deixar o Senado.

A gravação, contudo, não apresenta um levantamento detalhado das despesas citadas nem esclarece os critérios administrativos para a substituição dos equipamentos. O episódio coloca em discussão a extensão dos benefícios parlamentares, sua justificativa e os mecanismos de transparência sobre o uso dos recursos públicos.

Crítica aos privilégios inclui o próprio senador

A fala de Cleitinho também expõe uma contradição que merece atenção: ao criticar os benefícios concedidos à classe política, o senador reconhece que receberá um deles ao encerrar o mandato: a manutenção do plano de saúde vitalicio para ele e para a família.

A questão, portanto, vai além de denunciar despesas ou questionar regalias. Envolve discutir quais benefícios são necessários ao exercício da função pública, quais regras devem ser revistas e como os representantes prestam contas à sociedade sobre as vantagens às quais têm acesso.

Ao defender que os cidadãos cobrem diretamente os políticos em quem votaram, Cleitinho desloca o debate das disputas entre grupos ideológicos para a responsabilidade dos eleitos na administração do dinheiro público.

Cleitinho foi eleito governador de Minas Gerais no primeiro turno, em 4 de outubro, com 55,40% dos votos válidos. Ele assumirá o governo estadual em janeiro de 2027.

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Katia Santana

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